sábado, 13 de outubro de 2012

Eleições de 1989 (Lula e Collor)

No segundo debate entre os candidatos , Collor foi bastente agressivo, valendo-se de candidato cansado (tinha feito vários comícios no mesmo dia) e talvez confiante demais. Nesse enfrentamento decisivo, Collor, homem rico, dizia que não tinha dinheiro "para comprar uma aparelhagem de som igual à de Lula". Bizarro, mas eficaz. Na mesma época, alguns jornais deram a entender que militantes do PT faziam parte de quadrilhas de sequestradores. Apesar do conteúdo falso das insinuações, muita gente ficou assustada. O velho anticomunismo troglodita foi acionado e espalhou-se o boato absurdo de que Lula seria defensor dos regimes comunistas do Leste europeu e que, se ele ganhasse as eleições, o país viraria um caos, com os empresários parando de investir e fugindo para Miami. Bem, era difícil negar que uma vitória de Lula provocaria uma comoção no meio empresarial. O próprio PT também não tinha sido claro a respeito de seu programa de governo. No fundo, a população temia a instabilidade. E estaria completamente equivocada em seus receios? No Jornal Nacional, noticiário noturno, a TV Globo manipulou as imagens do debate: aparecia Collor dizendo coisas inteligentes e Lula dizendo bobagens, como se fosse um confronto entre o gênio e o santo com o jumento encapetado.

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